A degradação das proteínas capilares

    Para explicar porque ocorre o ressecamento do cabelo, Welder disse: “tem gente que fala que é a água oxigenada, mas tem gente que fala que é a amônia. No pó tem amônia e no oxidante a água oxigenada. Eu acredito que seja mais a água oxigenada mesmo porque dependendo da volumagem que a gente usa, ele resseca mais. Tipo de 30 ou de 40 volumes”. Branqueamentos químicos com peróxidos alcalinos enfraquecem o complexo da membrana celular, oxidam os resíduos de cistina da matriz do córtex e de outras regiões do cabelo (ROBBINS, 2002, p. 156).

figura 4.1- cabelo danificado por peroxido de hidrogenio

Fibra capilar oxidada com peróxido de hidrogênio em meio alcalino.

(Robbins, 2002, p.156)

Figura 4.2 - degradaçao da fibra de cabelo

Degradação da fibra capilar.

(Robbins, 2002, p.157)

    O Carlos explicou que “quando você mistura o pó descolorante com o OX, que é o peróxido de hidrogênio, você tem ele na força 10, 20, 30, 40, e então ele começa a entrar num processo de clareamento, que depende da força, e ele não dá a cor no cabelo que a pessoa quer, ele vai abrindo a cor, né?”. Comercialmente, existem diversas concentrações de água oxigenada (também conhecida por peróxido de hidrogênio): 10 volumes ou 3% (ideal para tonalização), 20 volumes ou 6% (poder de clareamento de um a dois tons de cor), 30 volumes ou 9% (poder de clareamento até três tons de cor, ideal para chegar ao tom castanho claro a um loiro médio) e 40 volumes ou 12% (poder de clareamento de três a quatro tons). É preciso ter extremo cuidado quanto à escolha da volumagem da água oxigenada, pois quanto maior causa descoloração mais rápida dos fios capilares e maior degradação das proteínas do cabelo (GALACHO; MENDES, 2011). O Welder disse: “de 40 quase nunca uso, mas tem gente que só usa o de 40”.

   Em sua maioria, os agentes oxidantes reagem com as proteínas do cabelo humano na ponte dissulfeto da cistina, porém também ocorrem degradações em pequenas quantidades de aminoácidos tais como a tirosina, treonina e metionina, pois são espécies sensíveis à oxidação. Isso modifica e danifica a estrutura do cabelo (ROBBINS, 1969 apud ROBBINS, 2002, p. 161). Dois tipos de mecanismos têm sido propostos para a degradação oxidativa das pontes dissulfeto: fissão enxofre-enxofre (S-S) e fissão carbono-enxofre (C-S), como mostra o esquema a seguir.

reações de fissão

Esquemas de “quebra” ou fissão das ligações entre S-S e entre C-S.

(Robbins, 1971 apud Robbins, 2002, p.159)

    A clivagem (quebra) da cistina acontece principalmente através da rota de fissão S-S e o produto final formado é o ácido cisteico, obtido a partir da oxidação da cistina durante o branqueamento químico do cabelo com peróxido alcalino ou pela mistura peróxido-persulfato (ROBBINS, 1971; SAVIGE, 1966 apud ROBBINS, 2002, p. 160).

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Referências

ROBBINS, C.; Kelly, C.J. Amino acid analysis of cosmetically altered hair. Journal of theSociety of Cosmetic Chemists, v. 20, p. 555-564, 1969.

ROBBINS, C. Chemical Aspects of Bleaching Human Hair. Journal of the Society of Cosmetic Chemists, v. 22, p. 339-348, 1971.

ROBBINS, C. R. Chemical and physical behavior of human hair. 4. ed. New York: Springer-Verlag, 2002. 483 p.

SAVIGE,W.E.; Maclaren, J.A. Oxidation of Disulfides, with Special Reference to Cystine. In: Kharasch, N.; Meyers, F.J. (Eds.). The Chemistry of Organic Sulfur Compounds. Vol. 2. New York: Pergamon Press, 1966. cap. 15, p. 367–402.

GALACHO, C.; MENDES, P. Água oxigenada: mais um exemplo de uma solução química. Escola de Ciências e Tecnologia, Departamento de Química da Universidade Évora, 2011. Disponível em: < http://www.videos.uevora.pt/quimica_para_todos/qpt-agua%20oxigenada.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2016.

 

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