A fabricação de cimento na cidade de Barroso por meio de uma narrativa de saberes da comunidade, da ciência e da tecnologia envolvida

Breve histórico da pesquisa

A produção e o uso do cimento no município de Barroso, MG, foram investigados com o intuito de analisar suas relações com conteúdos escolares, verificar a possibilidade de explorá-los nas aulas de química de escolas locais e propiciar formação docente por meio de uma narrativa híbrida. Primeiramente realizamos interações com o pessoal da indústria cimenteira LafargeHolcim, a qual vem produzindo cimento na cidade desde 2015, embora outras fábricas a tenham precedido no mesmo local de sua instalação atual desde a década de 1950.

Visando conhecer como o cimento é produzido e a história da fábrica, o Sr. Maurício Ferreira, do setor de pessoal, nos recebeu em suas dependências e nos indicou os Senhores Paulo Terra e Geraldo Cosme, funcionários aposentados da empresa, para obter informações. O primeiro nos recebeu em sua casa para uma conversa, a qual foi registrada por áudio, e o segundo nos cedeu materiais (impressos e digitais) para estudos.

Após interações com eles e análise do material fornecido, escrevemos um texto tratando da origem da fábrica em Barroso, de como o cimento é produzido e porque ele endurece, contendo somente informações científicas e tecnológicas. Depois, procuramos saber o que a comunidade sabia sobre esses temas. Inicialmente conversamos com seis pedreiros. Depois, contamos com a ajuda de uma professora de química – a Profa. Wânela Campos, da Escola Estadual Francisco Antônio Pires, e de 42 estudantes de ensino médio (da EJA e dos 1º, 2º e 3º anos),  os quais aplicaram um roteiro de questões em 42 pessoas da comunidade, cujas idades variaram entre 16 e 89 anos.

O grupo predominantemente envolvido pelos estudantes foi de pedreiros, os demais foram: professores, aposentados, donas de casa, mecânicos, operadores de máquina, funcionários públicos, ajudantes de obras, uma faxineira, um agente de salvamento, supervisores (de mecânica e operacional), administradoras, um técnico de salvamento, um assistente de qualidade, empresários, estudantes e duas pessoas que não foram identificadas profissionalmente.

De posse das informações, realizamos a análise do discurso da comunidade em suas respostas ao roteiro utilizando o livro A Arqueologia do Saber de Michel Foucault (1986), que funcionou como uma guia para compreendermos o que a comunidade sabia e onde havia lacunas em seus saberes. Depois, selecionamos seus enunciados e os inserimos nos textos inicialmente elaborados utilizando o conceito de hibridização de linguagens de Mikhail Bakhtin (1981), compondo, assim, uma narrativa híbrida da história da fábrica, da produção do cimento e de sua propriedade de endurecimento.

Na narrativa, o leitor irá identificar o uso de aspas para distinguir as linguagens e saberes advindos da comunidade. Assim, após este trabalho, disponibilizamos os textos que seguem no sítio Ciência na Comunidade, na esperança de que seja útil e informativo. Assim, desejamos que a leitura seja agradável e que propicie aprendizagens!

Agradecimentos

 – Aos Srs. Maurício Ferreira, Paulo Terra e Geraldo Cosme.

– À Professora Wânela Campos e seus alunos: Leonardo Campos, Mateus Meireles, Bianca Ferreira, Sílvia Pinto, Amanda Cristina, Isabelle Reis, Ana Carolina Ferreira, Paola Nádila, Rodrigo de Souza, Pablo Bernardes, Jackson Augusto, Gabriele Alves, Luciara Campos,  Heloysa Carvalho, Lucas Carvalho, Breno Fraga, Dyfli Amanda, Raquel do Nascimento, Larissa Rodrigues, Paulo Afonso, Pablo Victor, Leonardo Ribeiro, Luana Kele, João Marcos, Tuany da paz, Davi Antônio, Lúcio Aparecido, Mauricéia Estevão, Maria Eduarda Viegas, Fabrício dos Santos, Lucimeire Elias, Alessandra, José Adalberto, Marina Giroto, Maria Luíza Ferreira, Vitória dos Santos, Sara Luiza, Túlio de Oliveira, Marcelo Oliveira, Maria Helena Campos, Luiz Antônio de Souza, Sandra Ferreira, Gabriel Barreto, Bárbara Sandin e Ana Clara Moreira.

– Às pessoas da comunidade: João Tadeu, Valdeci Fernandes, Sebastião Moisés, Dircéia Georgina Moreira, Rondinelli, Saulo Moreira, Renato de Oliveira Silva, Ronam Moreira, Franciele Cristina Campos, Renato Fernandes de Souza, Sandro Augusto Ferreira, Milian, Geraldina Maria Sandin Adriano, Cláudia Ferreira, Maria aparecida Meireles, Paulo Henrique, Lucas Cezarine Campos, Izaías Cláudio, Sílvio da Silva, Simone Aparecida Ferreira, Watila William, Marcelo de flores Francisco, Célio de Nazaré Justo, Jaqueline Karolayne, Sebastião Alves Ferreira, Joel Campos, Pedro Emanuel Nunes, Rogério Fraga de Oliveira, Claudinei Luiz, Mario C. do Nascimento, Patrícia Sueli Costa, Francisco Delfino, Bruna Mendes, Francisco e Waldemiro Ribeiro.

Referências:

Bakhtin, M.M. The dialogic imagination: four essays. Austin: University of Texas Press, 1981.

Foucault, M. A Arqueologia do Saber (2. ed.). Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 1986.

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