As mulheres de Minas Gerais e o sabão de cinzas

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Breve história desta pesquisa

   O sabão de cinzas foi investigado mediante interação com oito indivíduos em três regiões distintas do estado de Minas Gerais, Brasil, a maioria mulheres: Maria Celeste, Margarida, Maria Benedita, Izabel, Aparecida, Rosa e Anésia. Duas eram de uma mesma família, onde também havia o único homem do grupo estudado: Sebastião, filho de Maria Benedita. Os ensinamentos sobre o modo de preparo deste sabão foram transmitidos ao longo de gerações, por suas mães, avós ou pessoas da comunidade, sofrendo adaptações ao longo do tempo e de acordo com a disponibilidade de outros materiais.

Izabel and the ash soap

Izabel e o sabão de cinzas

   Na primeira interação com uma dessas mulheres a sensação era de estar entrando em “outro laboratório”, com processos semelhantes aos observados nos laboratórios de química, mas usando recursos distintos. Devido à influência da ciência escolar, a curiosidade inicial direcionou a compreensão do preparo do sabão de cinzas sob este ponto de vista, mas à medida em que foram ocorrendo novas interações com outras mulheres sobressaiu uma “outra ciência”: um modo próprio de saber, fazer e falar sobre o sabão. Assim, foi necessário transitar também por saberes da sociologia e da antropologia para compreender melhor o que estava sendo observado. Ao longo do tempo, o modo de ver a ciência, a química e o preparo do sabão de cinzas foi se ampliando.

   As interações com as mulheres ocorreram nos quintais e cozinhas de suas casas, quase sempre ao redor da produção do sabão. Inicialmente foram realizadas visitas prévias para conhecê-las e explicar sobre o interesse em estudar o sabão de cinzas para ensinar sobre ele na escola, porém nem sempre houve receptividade e abertura. Algumas mulheres demonstraram desconfiança e receio a princípio, enquanto outras foram mais receptivas. Com o tempo e persistência, no entanto, todas ofereceram seus saberes para que a pesquisa se desenvolvesse.

   Assim, acompanhamos os procedimentos de preparo do sabão de cinzas durante as horas e os dias em que era feito. Algumas vezes os acontecimentos foram registrados mediante fotografia e filmagem. Noutras as interações foram mediadas por estudantes da Universidade que se envolveram na pesquisa. Numa interação particular, um acadêmico reuniu três mulheres ao redor do preparo do sabão e a conversa do grupo foi registrada mediante filmagem.

   Os dados dos trabalhos de campo alimentaram experiências escolares e a elaboração do hipermídia etnográfico sobre o sabão de cinzas para mediar os saberes das mulheres para salas de aula e estudantes de cursos de licenciatura. Partes da hipermídia foram incorporadas a este ambiente e poderão ser acionadas clicando sobre os caracteres marcados em cor azul. Aproveite bem e boa leitura!

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