Como as placas são impressas?

De acordo com o Alessandro, “o trabalho parece simples, mas não é, precisa de muitos anos (para aprender)”. As placas metálicas são preparadas segundo um processo de impressão de moldes feitos inicialmente com chapas de fibra de madeira, tipo Eucatex, nas quais são fixadas letras de plástico com fita dupla face de um lado para compor os nomes dos falecidos, suas datas de nascimento e falecimento e mensagens que os homenageiam.

Figura 2 – Moldes feitos com placas de madeira contendo letras de plástico coladas com fita dupla face.

Após “escrever” nos moldes, esses são colocados em uma bancada de alvenaria e posicionados dentro de uma “fôrma” retangular, uma moldura de madeira com saliências laterais para segurá-la com as mãos, como mostra a figura 3. Depois, um pó branco é espalhado sobre os moldes, “é área fina da Serra, serve pra não agarrá a areia no molde”. Cada moldura deste tipo serve para preparar de uma a duas placas por vez e pode ser reutilizada. O Alessandro tem várias.

Figura 3: Molde de madeira com letras posicionado dentro da moldura e as fôrmas empilhadas na oficina do Alessandro.

Em seguida, ele coloca o que chama de “areia laranja” dentro desta moldura, parecendo ser, na realidade, um tipo de argila devido à sua cor e fina granulação, mas, segundo o Alessandro “é areia mesmo, só que com um pouco de liga pra não ficar desfariando”. Embora chamada de “areia laranja”, na realidade não tem mais essa cor, “ela era (laranja) na época, mas como ela vai queimando, vai escurecendo”. Ele reutiliza essa mesma “areia” desde que começou a fazer as placas: “não precisa trocar a areia, eu peguei essa há vinte anos atrás” (Figura 4).

Figura 4:  A “areia laranja”.

Uma porção de “areia” é colocada dentro da fôrma utilizando uma pá e uma peneira, até cobrir a sua metade. Isto é feito pressionando a “areia” sobre uma peneira colocada acima da moldura com as mãos, a qual sai por baixo mais fina e sem aglomerados, pedras ou impurezas e cai dentro da “fôrma”. Depois, é pressionada dentro da “fôrma” usando um martelo, segurando-o pelo seu cabo e usando a outra extremidade para socar a “areia”. Após isso, mais areia é colocada dentro da fôrma até atingir cerca de um palmo acima de sua altura. Então, utilizando um “soquete feito de ferro e um cano soldado”, a “areia” é pressionada com golpes firmes e enérgicos, para que fique bem compactada (Figura 5).

Figura 5: A “areia” é compactada dentro da “fôrma” contendo a placa de madeira com as letras.

Somente a porção de “areia” que cobre os moldes é que passa pela peneira, e o excesso de “areia” colocado na fôrma é retirado posteriormente após sua compactação usando uma régua de madeira, nivelando-a à altura da fôrma. Forma-se assim uma “caixa de areia” e esta fica firme dentro da moldura. A caixa é então virada do lado oposto expondo os moldes fixados em seu interior, o lado que não tem as letras, e o pó branco é colocado sobre eles. Após isso, uma segunda moldura é posicionada acima e é preenchida e compactada com a “areia” da mesma forma (Figuras 6 e 7), mas nesta não é colocada nenhum molde. Sua finalidade é servir para escoar o metal quente fundido para a impressão feita pelos moldes na “areia” da primeira fôrma.

Figura 6: A segunda “fôrma” é colocada sobre a primeira, do lado onde estão os moldes.

Figura 7: Preenchimento e compactação da segunda fôrma com a areia.

Devido à esta função da segunda moldura, são feitas diversas perfurações na “areia” contida em seu interior, de um lado ao outro. Uma dessas, de maior diâmetro, é feita centralmente usando um cano de PVC de cerca de 5 centímetros de diâmetro, formando um duto por onde o metal fundido escoará para preencher as impressões feitas pelo molde na “areia” da primeira fôrma. Do lado onde o metal líquido quente será colocado, é feito um alargamento deste duto na forma de uma concavidade usando uma colher. As outras perfurações feitas são menores e feitas com uma ferramenta cilíndrica (Figura 9), “pra sair o oxigênio que tá dentro das fôrmas, o ar”, para sua vazão uma vez que o espaço das impressões será ocupado pelo metal líquido.

Figura 8: O furo central e os furos menores feitos na “areia” da segunda moldura.

Assim, a produção das placas e outros objetos metálicos é feita utilizando as duas fôrmas ou molduras, uma contendo as impressões na “areia” e outra servindo para conduzir o metal fundido até elas. Para que essas duas “caixas de areia” fiquem bem sobrepostas, uma sobre a outra, o Alessandro faz traços ou marcas nas laterais das duas molduras, definindo, deste modo, as posições de encaixe.

Dando continuidade aos procedimentos, o molde de madeira é cuidadosamente retirado da primeira moldura usando uma colher. Primeiro são retiradas pequenas porções de areia das extremidades. O Alessandro dá pequenas batidas com a colher sobre os moldes e sopra para deixar a superfície limpa. Os moldes são retirados cuidadosamente com as mãos por suas laterais e, assim, deixam seu formato e as letras impressas na “areia” (Figura 9).

Figura 9: As placas são retiradas da “areia” da primeira fôrma e deixam suas marcas impressas.

Após isso,  usando uma ferramenta de metal manual que tem a forma de uma pá, ele faz então pequenos ajustes nos sulcos laterais e nas letras impressas na “areia”, dando uma espécie de acabamento nas impressões. As fôrmas são então colocadas no chão da oficina, aos pares, uma ao lado da outra. Várias molduras são preparadas deste modo e ficam “descansando” de um dia para o outro, em repouso (Figura 10): “ela precisa ficar descansando pra ela perder um pouquinho da umidade dela, porque senão ela ferve quando a gente coloca o material”.

Figura 10: Secagem das fôrmas até o dia seguinte.

Como a “areia” usada não é completamente seca e contém água para ajudar a compactá-la nas fôrmas, é preciso deixá-las secar para que o excesso de água evapore e “areia” perca um pouco de sua umidade. “É areia úmida pra dar liga” e se ela estiver muito úmida, a água pode vaporizar subitamente no contato com o metal quente, o que pode danificar as placas.

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