“Luzes” capilar: os saberes sobre a “iluminação” dos cabelos

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Breve histórico da pesquisa

   O procedimento de “luzes” capilar foi investigado mediante interação com três cabeleireiros, dois homens e uma mulher, na cidade de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Os dois homens deram permissão para divulgar seus nomes: Welder e Carlos Alberto. A mulher recebeu o nome fictício de Joana. O interesse em pesquisar os saberes dos cabeleireiros surgiu da perspectiva de integrar seus saberes no ensino de Química. Os três foram sempre gentis e atenciosos no desenvolvimento da pesquisa.

  Inicialmente ocorreram interações com o Welder, cabeleireiro há quatro anos. No primeiro momento, a sensação era de estar em um curso profissionalizante. Foram apresentados os produtos e acessórios empregados nos tratamentos capilares e também a maneira de realizá-los. O processo de “luzes” tornou-se o foco da pesquisa em função de ser um dos tratamentos mais frequentes em seu salão de beleza, bem como em outros do município. As explicações dadas pelos cabeleireiros foram oferecidas de maneira descontraída e aguçaram nosso interesse em entender os fenômenos envolvidos e o conhecimento químico associado. Ao longo das interações, os saberes foram se ampliando.

   As interações com os cabeleireiros ocorreram em seus locais de trabalho, os salões de beleza, quase sempre ao redor da realização do processo de “luzes”. Inicialmente ocorreram visitas prévias para conhecê-los, explicar o interesse em estudar seus saberes, conhecer a química envolvida e inserir este conjunto na formação de professores e nas escolas. Sempre houve receptividade, boa vontade e abertura para o desenvolvimento da pesquisa.

   Foram observados três procedimentos de luzes capilar feitos pelo Welder. Sempre que havia uma cliente ele entrava em contato e na medida em que ela permitia a observação, o procedimento era acompanhado. Já com o Carlos Alberto, cabeleireiro há 31 anos, foi realizada uma entrevista inicial e a partir daí ele agendou a observação do procedimento feito por sua filha Joana. Sua experiência decorre de cursos feitos por ele e do trabalho realizado ao longo dos anos, conforme ele mesmo afirmou: “fiz vários cursos… e no começo da minha profissão tive uma introdução muito boa. E com a base que eu tive o resto que vem vindo agora por dedução você já imagina como é que vai fazer pra estar usando os produtos”. O Welder também mencionou realizar cursos com frequência. Muitas vezes, esses cursos são promovidos pelas empresas que vendem os produtos usados nos salões. As observações e entrevistas foram registradas por escrito e usando um gravador de voz. Algumas vezes o procedimento foi registrado utilizando uma câmera fotográfica e uma filmadora.

   Os dados do trabalho de campo foram utilizados para construção desta narrativa visando a sua inserção no sítio Ciência na Comunidade. Aqui descreveremos os saberes e as práticas dos cabeleireiros junto de suas explicações científicas. Meu nome é Marcella, sou a pesquisadora envolvida. Boa leitura!

   Para saber mais sobre esse trabalho, consulte também um artigo publicado na revista Química Nova na Escola: http://www.qnesc.sbq.org.br/online/qnesc40_1/03-QS-96-16.pdf. A dissertação de mestrado completa pode ser acessada em: https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestradoeducacao/DissertacaoMarcellaMatosCordeiroBorges.pdf

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