O começo das tinturas e descolorações

   Todos sabemos que as mulheres adoram mudar o visual e adquirir uma aparência renovada. Para isso, é comum mudarem a cor dos cabelos, embora atualmente isso também já não é mais uma exclusividade das mulheres. Ao longo da história, a mudança da cor dos cabelos foi uma das formas definidoras de idade, posição social, cultura e autoimagem. Até os dias atuais, os cabelos pretos de Cléopatra, com corte Chanel alongado e franja reta, são referência para muitas mulheres. Para tingir os fios, as egípcias usavam tinturas naturais, vegetais e minerais. Extratos de plantas como a henna, a nogueira e a camomila também eram utilizados na antiguidade. Já no mundo Ocidental, os cabelos ruivos de Elizabeth I influenciaram muitas mulheres.

Elizabeth I Queen of England and Ireland

Elizabeth I – Rainha da Inglaterra e Irlanda de 1558 a 1603

   Em 1863, o químico alemão August W.V. Hofmann descobriu as propriedades de coloração do composto PPD (p-fenilenodiamina), derivado da anilina, que após a exposição com um agente oxidante conferia tons de marrom aos cabelos. Ele realizou estudos de classificação das aminas, um grupo específico de substâncias orgânicas. Quatro anos depois, na Exposição de Paris, o farmacêutico britânico E.H. Thiellay e o cabeleireiro francês L. Hugot demonstraram a técnica e as vantagens da descoloração dos cabelos utilizando o peróxido de hidrogênio.

   Em 1907, Eugene Schueller, fundador do grupo L´Óreal, descobriu e comercializou a primeira tintura sintética permanente oxidante com o nome de “Auréole”, com capacidade de clarear a cor natural dos fios dos cabelos. A partir disso, a indústria de cosméticos disparou no desenvolvimento de substâncias e maneiras de colorir os cabelos. Em 1931, foi lançado o xampu tonalizante e em 1953 o creme tonalizante permanente (DRAELOS, 2005 apud OLIVEIRA et al., 2014).

p-Fenilenodiamina

p-fenilenodiamina

  A indústria de cosméticos está sempre atenta às inovações e necessidades dos consumidores. Em 2003, por exemplo, começaram a ser adicionados compostos como o EDDS (ácido etilenodiamino-N,N´-dissuccínico) e EDTA (ácido etilenodiaminotetraacético) aos produtos tonalizantes. Esses compostos são agentes quelantes, os quais atuam complexando e inativando íons metálicos, como cobre, ferro, magnésio e cálcio provenientes da água e/ou de matérias-primas da formulação do produto (VOGEL, 1981, p. 104-115).

  Em 2007, pesquisadores desenvolveram descolorantes com queratina em sua formulação, minimizando consideravelmente os danos causados às fibras capilares. Os descolorantes alteram o conteúdo de melanina natural existente no córtex dos cabelos, o que está de acordo com o que o Carlos Alberto disse: “hoje em dia, o pó descolorante de ponta, eles entram fazendo a descoloração e já entram também atenuando porque já entram com a queratina na formulação para poder ajudar a manter a integridade do cabelo”A queratina é uma proteína fibrosa formada por aminoácidos unidos entre si através de ligações peptídicas, ou seja, o grupo ácido de um aminoácido se liga ao grupo amino de outro. Ela proporciona elasticidade e resistência ao fio. Quando presente na formulação dos produtos cosméticos capilares, contribui para a restauração das regiões em que houve rompimentos das cadeias peptídicas devido aos procedimentos químicos e físicos, sendo o processo de tintura e “luzes” capilar os mais realizados nos dias atuais (DRAELOS, 2000 apud SILVA, 2012).

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Referências

DRAELOS, Z.D. Hair Care: An Illustrated Dermatologic Handbook.1. ed. London: Taylor & Francis, 2005. 265 p.

DRAELOS, Z.D. The biology of hair care. Dermatology Clinics, v. 18, n. 4, p. 651-658, 2000.

OLIVEIRA, R.A.G. et.al. A Química e Toxicidade dos Corantes de Cabelo. Química Nova, v. 37, n. 6, p. 1037-1046, 2014.

SILVA, E.M. Caracterização Físico-Química e Termoanalítica de amostras de Cabelo Humano. 2012. 112 f. Dissertação (mestrado) – Instituto de Química da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/46/46136/tde-11092012-091254/pt-br.php>. Acesso em: 8 mar. 2016.

VOGEL, A.I. Química Analítica Qualitativa. 5. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 665 p.

 

 

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