O procedimento de “luzes” nos cabelos

   Conforme já mencionamos, o procedimento de “luzes” capilar foi observado em dois salões de beleza. O nome de um deles é dado na figura abaixo e o nome do outro não fomos autorizados a divulgar. Apresentamos a seguir o procedimento realizado pelo cabeleireiro Welder e pela cabeleireira Joana, em cada um dos salões, acrescentando ainda os saberes do pai dessa segunda, o Carlos Alberto. O valor cobrado para realização das luzes capilar pelo Welder varia de R$150,00 a R$180,00 e ele afirma: “salão gera dinheiro e que mesmo com a crise ninguém para de usar cosméticos, de ir aos salões”.  A Joana cobra aproximadamente R$180,00 em um cabelo de comprimento médio.

Salão de Beleza Gloss, em São João Del Rei, MG – Brasil

   O Welder costuma tirar fotografias dos cabelos das clientes antes de começar o procedimento e depois de finalizado. Ele posta as imagens em sua página no Facebook (Welder Canaan). As interações com o Welder foram sempre divertidas e descontraídas e demos muitas risadas. Nas duas vezes que ele realizou o procedimento de luzes, seu salão de beleza foi palco de conversas sobre assuntos variados: animais de estimação, viagens, férias, formaturas, novelas, aplicativos de celular, carros, repúblicas estudantis, cursos, estágios, indústrias, novas tecnologias, livros e clima. Em um dos procedimentos, ele comentou que “o salão é pequeno e abafado” e que estava fazendo muito calor naquele dia. O Welder iniciou o procedimento separando o cabelo em quatro partes, mas isso depende do volume e tamanho do cabelo, num dos casos ele separou em cinco partes e penteou cada uma delas. Esta etapa é concluída em 10 minutos aproximadamente. A Joana fez o mesmo, só que no caso observado, ela separou o cabelo em três partes.

   No procedimento da primeira cliente, eles começaram conversando:

Welder: “Qual o xampu você está usando?”

Cliente: “Élseve”.

Welder: “Pode mudar de vez em quando, tá com caspa. Para melhorar tem que usar anticaspa e usar o seu próprio pente. E também fazer o blend, porque o produto já tem pra hidratar, ajuda a melhorar também o seu cabelo ressecado”.

Cliente: “Quero luzes com ombre hair. Bem loira, mas não branco”.

   Welder sugeriu também que ela usasse um “óleo reparador porque o cabelo está bastante ressecado e quem trabalha em laboratórios acaba com o cabelo, pois neles tem ácidos muito fortes”. Ele também fez a seguinte pergunta a ela:

Welder: “Por que você não faz o botóx? Ele vai hidratar também depois das luzes. A hidratação só hidrata, o botox hidrata e alisa”.

Cliente: “Estou precisando mesmo, ainda mais que tem uns seis meses que não faço luzes, nem corto”.

   Essa cliente trabalhava em uma indústria siderúrgica. Ela ficou curiosa com minha presença no salão e me perguntou sobre qual era o tema de minha pesquisa. Eu respondi e ela disse: “É bem legal, pois a gente faz tratamentos no cabelo e não sabemos o que ocorre, os processos químicos e a função dos produtos”. Não é possível dizer ao certo se o estado do cabelo dessa cliente tinha relação com os “ácidos fortes” presentes em seu local de trabalho, mas é certo dizer que diariamente os cabelos sofrem agressões como danos físicos (escovar, pentear e cortar), umidade, exposição à radiação solar, e danos químicos (colorir, alisar e lavar os cabelos com xampus), que podem deixá-los embaraçados e ressecados devido à quebra das ligações proteicas e à perda de nutrientes capilares. A caspa é caracterizada por uma descamação excessiva do couro cabeludo e usualmente acompanhada de coceira. As escamas são brancas ou cinzentas, sem inflamação aparente (ELEWSKI, 2005). O aparecimento da caspa está associado à proliferação de fungos lipofílicos do gênero Malassezia (anteriormente designado por Pityrosporum) no sebo cutâneo, podendo ser induzido por água muito quente no banho, xampus, condicionadores inadequados e/ou pelo aumento da oleosidade do couro cabeludo (GUPTA et al., 2004).

Primeiro passo do processo: pentear e separar o cabelo em partes

   Sobre os tipos de “luzes” que é possível fazer nos cabelos, o Welder disse: “O que está mais usando são as luzes, que é mais sorteado os fios loiros, e é no cabelo todo, né? Não só nas pontas. E existe o ombre hair no cabelo todo, que é da raiz às pontas mais claras e o da metade do cabelo para as pontas, deixando elas mais loiras”; “está na moda usar mechas loiras mais grossas”.

   Para produzir as “luzes”, eles utilizaram uma mistura de pó descolorante (contendo sais de persulfato) e creme oxidante ativador (contendo água oxigenada ou peróxido de hidrogênio) para passar nos cabelos. Além destes produtos, o Welder adicionou um creme de proteção de descoloração e esses três produtos foram misturados em um recipiente de plástico chamado “cumbuca de tintura”. A aparência final foi uma pasta de coloração cinza azulada ou tendendo ao roxo. Uma das clientes do Welder perguntou qual era a finalidade do protetor de descoloração e ele explicou: “o protetor utilizado nas luzes tem a função de proteger da química. As luzes danificam muito o cabelo e lá no curso falaram que ele é derivado do petróleo. É um protetor e uma hidratação”. Ele usou o protetor Defense Blond Plex Olenka®, que, segundo o sítio da Olenka® (http://www.olenkacosmeticos.com.br/) tem a função de proteger o cabelo antes da ação dos processos químicos que utilizam água oxigenada. O produto trata e recupera os fios de dentro para fora, em todas as camadas e em qualquer estado, além de fortalecer as ligações responsáveis pela força e resistência do cabelo. O Welder disse: “você já faz tudo do mesmo jeito, o protetor mistura com o pó descolorante. Ele evita ressecar e agredir o fio”, e concluiu: “é um produto opcional a ser utilizado no processo de luzes”.

    A mistura feita pelo Welder para ser aplicada nos cabelos foi preparada na seguinte proporção: “cinco de pó, 10 de oxidante e 10 de protetor”. Já a mistura da Joana “tem uma medida certa, mas eu não vou medindo não, já vai ficando automático. E a massinha quanto mais durinha mais ela clareia”. O tempo de preparo da mistura é de aproximadamente 10 minutos. A Tabela 2 mostra os componentes químicos que estão presentes na formulação do pó descolorante Wella Blondor® e do creme oxidante Wella Welloxon Perfect® utilizados pelo Welder.

Tabela2-Componentes-presentes-no-pó-descolorante-e-no-creme-oxidante-ativador

    Segundo Robbins (2002, p. 154-155), a mistura a ser aplicada no cabelo deve ser preparada minutos antes de sua utilização, sendo feita com cerca de 50 g de base clareadora, 100 g de loção reveladora e dois a três pacotes de pó descolorante (cerca de 10 a 12 g cada pacote, ou seja, aproximadamente 20 a 36 g de pó). A composição desses materiais segundo a literatura é dada nas Tabelas 3, 4 e 5.

Tabela3-Componentes-da-base-clareadora Tabela4-Componentes-da-loção-reveladora Tabela5-Componentes-do-pó-descolorante

   A mistura feita pelos cabeleireiros apresenta coerência com a literatura, mas deve ser observado que eles não usaram a base clareadora. Os principais componentes dessa última estão presentes na formulação do pó descolorante.

Produtos utilizados pelo Welder:
à esquerda o pó descolorante, no centro o creme oxidante e do lado direito o protetor de descoloração

Pó descolorante utilizado pela Joana

   Preparada a mistura, o Welder pegou uma das partes do cabelo e selecionou uma porção de fios utilizando o cabo de um pente. De modo a separar os fios em porções ainda menores para descoloração, ele segurou uma porção de fios pela extremidade com as mãos e passou o pente nos cabelos debaixo para cima, separando alguns fios. Após ter feito isso, ele passou o cabo do pente horizontalmente nos fios que permaneceram esticados realizando um movimento ondulatório, através do qual outra porção de fios foi separada. Esta última é que recebeu a mistura para descoloração. Isso foi feito porque se a mistura fosse passada em todos os fios, não seria o procedimento de “luzes”, mas a descoloração total dos cabelos, conforme observou a cliente da Joana:

Cliente: “Agora eu entendi como ela faz as luzes, ela deixa um pouquinho sem fazer, tá vendo? Aqui ela fez, aqui ela deixou sem fazer, ai depois vem cá e faz de novo. Vai intercalando as mechas, uma com produto outra sem”.

Separação dos fios a serem descoloridos

    Após separar os fios, ele os colocou sobre o lado fosco de uma folha de papel alumínio apoiada em uma tábua de madeira retangular e passou a mistura preparada nos mesmos esticados utilizando um pincel de tintura, de cima para baixo, de baixo para cima e em movimento circulatório nas pontas. Esta folha, na realidade, é cortada previamente pelo cabeleireiro utilizando uma tesoura; ele deixa vários recortes de formato retangular preparados antes de iniciar os procedimentos. Depois de passar a mistura nos cabelos, ele retirou o suporte de madeira para o papel alumínio e “fechou” este último nas extremidades (base e laterais), virando-as para dentro, de modo a manter os fios e a mistura envoltos. A Joana, por sua vez, utilizou um plástico impermeável que é vendido no mercado como papel Isolmanta, ao invés do papel alumínio, que ela apoia sobre “um plaquete”. Ela também recortou este tipo de papel com tesoura anteriormente, reservando vários recortes para o processo.

Passando a mistura no cabelo

Cabelos com a mistura envoltos em papel alumínio

Materiais de trabalho do Welder. No canto superior à direita a “cumbuca de tintura”
com a mistura preparada para fazer as “luzes”

Plaquete utilizado pela Joana 

Papel Isolmanta

    Os cabeleireiros repetiram esse procedimento em várias outras porções de fios dos cabelos. Mechas superfinas, mais mechas superfinas e mistura de produtos. O cabelo dentro do papel alumínio foi reagindo e descolorindo. Esta etapa do procedimento dura de uma hora a três horas, dependendo do volume, comprimento, tipo e história do cabelo de cada cliente. Nos casos observados a duração foi de aproximadamente três horas. Nas primeira e terceira clientes, o Welder passou bastante produto nas pontas dos fios, pois ela havia pedido “luzes” estilo “ombré hair”. Nesse caso, a mistura é passada do meio do cabelo até as pontas. Todavia, antes de terminar de passar a mistura nos fios, os cabeleireiros começaram a retirar o papel alumínio dos primeiros fios e passar uma toalha molhada nos mesmos. Segundo o Welder, “se deixar demais fica mais branco ao invés de dourado”. O Carlos Alberto explicou a consequência de deixar o produto reagindo no cabelo por mais tempo: “é, deixa mais tempo, ele fica mais fraco… quanto mais claro mais frágil fica o cabelo, mais fino, mais fácil de quebrar”, as proteínas dos cabelos começam a ser decompostas no tratamento.

    Conforme vimos anteriormente, a proporção utilizada no processo de “luzes” é aproximadamente de 1:2, ou seja, uma parte de pó descolorante e duas partes de creme oxidante. Neste procedimento, inicialmente ocorre a dissolução dos pigmentos da melanina e a oxidação dos mesmos. Assim, o pigmento dissolvido produz uma solução colorida e desvanece em nova reação, mas, na sequência, mesmo que os cabeleireiros interrompam o processo, começam a ocorrer reações de degradação das proteínas que compõem o cabelo. A velocidade da oxidação dos pigmentos cromóforos (partes da molécula de melanina responsáveis pela cor) é favorecida pela presença de agentes oxidantes fortes, como, por exemplo, permanganato > hipoclorito = perácido > peróxido, que é a ordem de descoloração da melanina quando se encontra solubilizada. O peróxido de hidrogênio é o agente oxidante mais fraco dessa série, porém é mais eficaz porque é capaz de dissolver as melaninas e oxidá-las, causando a descoloração dos cabelos (ROBBINS, 2002, p. 184). No entanto, a oxidação das melaninas não ocorre de maneira completa, pois se isto fosse verdade o cabelo se tornaria branco (ausência de pigmentos) ao invés de dourado ou “cor de mel”.

   Ao falar sobre o responsável pela descoloração dos cabelos, o Carlos Alberto disse que “um dos princípios ativos… São vários, mas o principal dele é o persulfato de potássio. Assim, é um blend de química, né? Mas, o que faz mesmo descolorir é o persulfato de potássio aliado ao peróxido de hidrogênio”. O peróxido de hidrogênio é o principal agente de oxidação utilizado em composições para a descoloração dos cabelos. Os sais de persulfato são frequentemente adicionados para “acelerar” o processo e também contribuem para diminuir a concentração de peróxido a ser utilizada (ROBBINS, 2002, p. 153-154), como disse a Joana: “a proporção de água oxigenada para o pó sendo maior, não sei porque, quimicamente falando, clareia mais o cabelo”.

   Os persulfatos utilizados constituem substâncias solúveis em água e os mais conhecidos são o de sódio, de potássio, amônio e bário. É um agente oxidante eficiente, porém não é tão eficaz quanto o peróxido de hidrogênio. No entanto, as misturas de persulfato e peróxido proporcionam uma descoloração mais eficaz do que o peróxido sozinho. Por outro lado, o persulfato e o peróxido são oxidantes seletivos que reagem com diferentes partes das macromoléculas de melanina. O persulfato atua principalmente nos ácidos graxos e compostos fenólicos, facilitando a solubilização do pigmento; assim, o peróxido de hidrogênio age degradando-o em solução. Esses dois agentes oxidantes se complementam em termos da capacidade para oxidar o pigmento melanina e, portanto, o cabelo humano (ROBBINS, 2002, p. 185). As semi-equações de redução do peróxido de hidrogênio e do ânion persulfato mostrando suas ações oxidantes na descoloração das melaninas do cabelo, bem como as fórmulas estruturais do peróxido de hidrogênio e do persulfato de amônio são mostrados a seguir:

    Todavia, o pH ótimo para descoloração situa-se geralmente na faixa de 9 a 11 (máximo 11,7) (ROBBINS, 2002, p. 154), o que é favorecido com a adição de hidróxido de magnésio ou de amônio nos produtos. A amônia (NH3) pode ser utilizada na forma de hidróxido de amônio (NH4OH) ou de persulfato de amônio (NH4)2S2O8 como agente alcalinizante, com a finalidade de promover o valor adequado de pH para a reação de oxidação (VOGEL, 1981, p. 38). A amônia tem um papel especial na desintegração de partículas de melanina. Estudos revelaram que o branqueamento do cabelo não é meramente devido ao pH alcalino, mas também à capacidade do amoníaco em solubilizar parcialmente as partículas de melanina (Prem et al., 2003).

   Devido ao alto valor de pH, os laboratórios adicionam substâncias estabilizantes no creme oxidante ativador para reduzir a taxa de decomposição do peróxido e garantir vida útil satisfatória (ROBBINS, 2002, p. 184). Nessa condição, a semi-equação de redução do ânion persulfato permanece a mesma, enquanto a semi-equação de redução da água oxigenada torna-se:

   Para Joana, “os primeiros que eu passei eu tiro primeiro, porque às vezes eles clareiam mais rápido e também aqui embaixo na nuca fica abafado, então o calor acelera muito o processo”. Do mesmo modo, antes de concluir o procedimento, o Welder começou a retirar o produto das primeiras mechas com o auxílio de uma toalha molhada. Então, o procedimento foi seguido ora terminando de passar o produto no resto do cabelo, ora retirando o produto das primeiras mechas.

Remoção da mistura das primeiras mechas

    Durante um dos procedimentos observados, o Welder disse: “coloca a mão no papel alumínio para você ver como está quente. É reação química, acontece principalmente em jovens e também meninas que menstruam pela primeira vez e depois de um ano fazem luzes costuma esquentar mais ainda e também quem tem aquecedor solar em casa quando faz luzes esquenta dobrado. É porque o persulfato de sódio do aquecedor reage com a amônia do produto, podendo até manchar o cabelo. É bom comer muita verdura”. Ele falou com a cliente que “se estiver queimando o rosto” (o papel alumínio caiu todo para frente, na testa), para levantar com a mão o papel que ele daria uma soprada pra amenizar. Dando continuidade ao procedimento, ele ligou o secador na direção do cabelo com a mistura e disse: “Para esquentar o cabelo e descolorir mais rápido”. Ao fornecer calor, Welder favoreceu as colisões entre os pigmentos de melanina e os agentes oxidantes. Todavia, o fato do papel alumínio ficar “quente” significa que as reações de descoloração são exotérmicas, ou seja, liberam calor. Mas, será que a menstruação e o cobre dos aquecedores solares teriam alguma influência? Aparentemente, as reações de oxirredução da melanina independem das meninas estarem ou não menstruadas e de possuir aquecedor solar em casa. Em relação ao aquecimento do papel alumínio, o Welder disse: “depois que passa um tempo ele estabiliza”, ou seja, as reações químicas correspondentes param de ocorrer.

    Ao finalizarem o procedimento de passar a mistura nos cabelos, as clientes ficaram esperando de 30 a 45 minutos com a mesma no cabelo.

Welder: “Pronto Marcella, agora é só esperar. Se quiser levantar pode ficar à vontade”.

Marcella: “É engraçado que quando tira assim o papel alumínio parece que o cabelo tá super branco, depois que lava é que mistura com os outros fios e vai melhorando”. (Risos)

Welder: “Pode ficar sentada aqui bem embaixo da luz mesmo e esperar mais”.

  Nesse tempo, o Welder aproveitou para realizar outras atividades como cortar cabelo de outra cliente, fazer hidratação; isso também aconteceu com a Joana, que realizou depilação em cliente, e fez uma sobrancelha. Mas, este tempo também tem um limite:

Welder: “Vamos começar a lavar uma parte dele né, antes que eu te deixe platinada” (Risos).

   Os salões de beleza são locais onde circulam, entram e saem várias pessoas, há sempre pessoas querendo marcar horário, o telefone toca constantemente e os cabeleireiros se desdobram. São locais voltados para a estética das pessoas e isso também envolve tensão, medos e preocupações, pois há sempre uma expectativa sobre o resultado dos procedimentos: “será que o meu cabelo já tendo outra tinta não irá manchar, ficar com uma cor esquisita não?”, disse uma das clientes do Welder, por exemplo. Outras falas onde isso foi observado são mostradas a seguir:

Marcella: “Será que o meu cabelo já tendo outra tinta não irá manchar, ficar com uma cor esquisita não?”

Welder: “Não, a cor vai misturar e não aparece”.

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Marcella: “Quanto mais tempo deixa o produto mais claro fica o cabelo?”.

Welder: “Mais claro fica”.

Marcella: “Mas vai dando um nervoso parece que vai ficar assim, loiríssimo”.

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Marcella: “Você está fazendo umas duas luzes por dia?”.

Welder: “Três. Você quer os fios das pontas todos loiros?”.

Marcella: “Como assim?”.

Welder: “Você quer todos os fios, só nas pontas, loiros? Ou quer mesclado, alguns loiros e outros cor escura do seu cabelo natural? Tá usando todos os fios das pontas loiros”.

Marcella: “Ah, pode ser então. Meu cabelo tá grande né?!”.

Welder: “Olha, da última vez que você fez, você fez mesclado, tá vendo? Tem pontas escuras e pontas claras”.

Marcella: “Ah tá, e agora? Você acha mais bonito como?”.

Welder: “Eu gosto dos dois jeitos”.

Marcella: “Pode fazer mesclado então, assim, mas mais loiro, mas pode deixar alguns” (Risos).

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Welder: “(…) Tá com medo de retirar o papel alumínio Marcella?”.

Marcella: “Tô”.

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Cliente: “Cortar é depois que faz as luzes?”.

Joana: “É sim. Você vai cortar só as pontas?”.

Cliente: “Vou sim, porque fui em outra cabeleireira e ele repicou meu cabelo tudo, fez tudo errado, ele ficou um lado maior que o outro”.

   Os salões de beleza são também lugares onde há desconforto, mas há também sensações prazerosas:

Welder: “É. Agora doeu né?!” (Penteando os cabelos após os procedimentos de “luzes”).

Marcella: “Não é o pescoço que fica meio ruim quando fica muito tempo no lavatório”.

Welder: “Se quiser sentar pode sentar”.

Marcella: “Pode?”.

Welder: “Claro. É só você chegar um pouquinho para trás. E se tiver te molhando aí você me fala”.

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Cliente: “Adoro que mexem no meu cabelo, me dá um sono”.

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Marcella: “É bom mexer no cabelo das pessoas, eu gosto”.

Welder: “Eu adoro”.

Marcella: “E eu adoro também que mexam no meu”.

   Após o tempo de espera do processo de “luzes”, o Welder começou a observar “se já estava bom”. Retirou o papel alumínio das partes do cabelo que já estavam com tom satisfatório e lavou-as no lavatório com água.

Lavagem das primeiras mechas

    Após mais alguns minutos, ele retirou todos os papéis alumínio e os cabelos foram lavados com água para posterior aplicação de uma “máscara hidratante”. O procedimento completo tem um tempo de duração total de três a cinco horas, porém, isso também é dependente dos cabelos de cada cliente. Concluído o procedimento de descoloração, os cabelos ficam difíceis de pentear, pois ficam ressecados: “você agora tem que hidratar, porque luzes danifica o cabelo. Você faz uma hidratação normal primeiro porque é melhor pra só hidratar. Mais pra frente você faz o botox, que hidrata e alisa”, disse o Welder às suas clientes. As máscaras de hidratação apresentam em sua composição uma substância (tensoativo ou base catiônica) que condiciona os fios, além de vitaminas, proteínas e lipídeos, formando um fio lubrificante que torna os cabelos mais macios e com brilho, além de melhorar a penteabilidade. A presença do tensoativo catiônico garante a neutralização das cargas negativas dos cabelos que foram tratados quimicamente com descolorações, tinturas ou alisamentos, auxiliando no fechamento da cutícula (GOMES, 1999 apud TAMBOSETTI, F. et.al., 2008).

Lavagem dos cabelos após o processo

    O Carlos Alberto sustentou que “o OX não é um colorante, ele é um descolorante, ele tira pigmento deixando o fio sem cor nenhuma, mais frágil. Quanto mais claro, mais frágil fica o cabelo, mais fino, mais fácil de quebrar. Então tem que fazer hidratação”. As proteínas do cabelo são degradadas pelos agentes oxidantes (vulgo OX) e o Welder confirmou: “realmente você tem que tratar, porque a cutícula fica aberta, então você tem que ir fechando a cutícula para poder não embaraçar tanto o cabelo”.

   Após a conclusão dos procedimentos, as clientes e os cabeleireiros demonstraram estar satisfeitos:

Cliente: “Ficou um loiro elegante”.

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Welder: Cabelo lindo e loiro!

Marcella: “Muito obrigada Welder. Fiquei super satisfeita e obrigada também pela oportunidade de realizar a pesquisa do meu mestrado aqui”.

Welder: “Obrigada você Marcella, espero ter ajudado e o que precisar pode procurar. Volte sempre”.

Um vídeo mostrando o procedimento de luzes capilar pode ser visto clicando aqui.

Cabelos da Marcella com Luzes

Prossiga para: A DEGRADAÇÃO DAS PROTEÍNAS CAPILARES.

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Referências

 BlondPlex. Disponível em < http://www.olenkacosmeticos.com.br/>. Acesso em: 9 mar. 2016.

GOMES, A.L. O uso da tecnologia cosmética no trabalho do profissional cabeleireiro. São Paulo: Senac, p. 15-49, 1999.

ELEWSKI, B.E. Clinical diagnosis of common scalp disorders. Journal Investigative Dermatology Symposium Proceedings, v. 10, n. 3, p. 190-193, 2005.

GUPTA, A.K., Batra, R., Bluhm, R., Boekhout T., Dawson TL. Skin diseases associated with Malassezia species. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 51, n. 5, p. 785-798, nov. 2004.

PREM, P., Dube, K. J., Madison, S. A., Bartolone, J. New insights into the physicochemical effects of ammonia/peroxide bleaching of hair and Sepia melanins. Journal of Cosmetic Science., v. 54, n. 4, p. 395-409, 2003.

ROBBINS, C. R. Chemical and physical behavior of human hair. 4. ed. New York: Springer-Verlag, 2002. 483 p.

TAMBOSETTI, F.; RODRIGUES, V.; ADRIANO, J.; SILVA, D. Máscaras de hidratação capilar utilizadas em um salão de Balneário Camboriú, ano 2008. Curso de Tecnologia em Cosmetologia e Estética. Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, Santa Catarina.

VOGEL, A.I. Química Analítica Qualitativa. 5. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 665 p.

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