Retomando o problema de fazer “luzes” em quem tem aquecimento solar

   O problema de fazer “luzes” nos cabelos de quem tem aquecimento solar em casa foi mencionado pelo Welder em uma de nossas interações, referindo-se a uma cliente particular: “agora a tarde vou fazer uma que me dá problema, porque ela tem aquecedor solar em casa. O cabelo com aquecedor solar eu não faço nem com pó descolorante Ecosmetics® nem com Wella®, eu faço com aquele importado da Schwarzkopf®, não sei se você já ouviu falar”. Segundo o sítio da Schwarzkopf® (http://www.schwarzkopf-professional.com.br/), o pó descolorante Schwarzkopf Blondme® é um pó branco, não volátil, que oferece até nove tons de neutralização avançada, tem consistência de creme para uma aplicação segura e uniforme. Este produto promove o clareamento com condicionamento extra, livre de tons indesejados, proporcionando um efeito anti-amarelo e possui em sua formulação os seguintes componentes: Persulfato de potássio, Silicato de sódio, Hidróxido carbonato de magnésio, Persulfato de amônio, Água, Parafina líquida/Óleo mineral, Goma de celulose, Dimeticona, Copolímero de acrilatos, Sílica, EDTA dissódico, Glicina, Polyquaternium-4, Hexametafosfato de sódio, Queratina hidrolizada, Dimeticonol, Sulfato de potássio, Sulfato de amônio, Geraniol, Citronellol, Fragrância e Cl 77007 (Ultramarino-pigmento azul).

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  Pó descolorante Schwarzkopf®

    Ele relatou: “ele dá uma reação menor com o cabelo, ele não esquenta tanto o papel, mas se eu quiser fazer com o Ecosmetics®, que é assim, o mais simples dos produtos, então, cinco minutos mais ou menos o cabelo ferve, ele descolore só quatro dedos da raiz e o resto não descolore, costuma desmanchar”. Mas, por que? O Welder explicou: “porque como a raiz é oleosa, ela não absorve o cobre do aquecedor solar e o resto absorve, então não clareia, fica só no cobre e costuma desmanchar”.

   O cobre é considerado um metal redox ativo proveniente de fonte exógeno, ou seja, da exposição da fibra capilar ao ambiente e, em particular, à água que corre através do sistema de tubulação utilizada na sua lavagem que adsorve na superfície da fibra capilar. Estudos relataram que o cabelo humano extrai até 10.000 ppm destes íons metálicos da água da torneira usada durante as práticas de higiene (MARSH et. al., 2007). A presença de metais redox em níveis traço no cabelo humano pode afetar significativamente a condição do cabelo em horas extras. Metais redox são conhecidos por aumentar o nível de danos UV em lã (MILLINGTON , 2006). Assim, a presença de cobre e ferro sobre o cabelo provavelmente causará níveis de danos elevados durante a irradiação da luz solar do cabelo. Metais redox também pode causar danos durante a coloração permanente do cabelo. Tanto a aparência da cor final como a maneabilidade do cabelo podem ser afetadas pela presença desses metais (MARSH et. al., 2007).

    O Welder prosseguiu: “o cabelo não descolore normal, porque pode deixar um dia que não chega no branco. Ele fica um tom mais amarelado, meio acobreado mesmo, mesmo que fique clarinho, a mecha quase transparente de tanto que já clareou, ela tem um fundo acobreado. Você tira o papel achando que tá branquinho, mas quando você vai lavar tá cobre, por causa do aquecedor”. Segundo a empresa Cronos (www.cronossustentavel.com.br/), o aquecedor solar é um dispositivo composto basicamente de placas coletoras, responsáveis por absorver radiação solar que é captada e transferida para água que circula no interior de tubulações de cobre presentes no sistema, e de um reservatório térmico, feito de cilindros de cobre, inox ou polipropileno, isolados termicamente com poliuretano expandido, que são os responsáveis pelo armazenamento de água aquecida. Dados cinéticos revelam que à temperatura ambiente, Cu2+ ou Cu+ têm alta atividade catalítica. Cobre e ferro são conhecidos por facilitar a produção de radicais hidroxila no cabelo em combinação com peróxido de hidrogênio durante a coloração, o que leva a danos de proteína de cabelo e desgaste cutícula adicional através de forças mecânicas. Estes radicais podem alterar a estrutura da proteína do cabelo através da oxidação de resíduos de aminoácidos de cistina para o ácido cisteico e através da ruptura da ligação peptídica das proteínas da queratina (XU; CHANCE, 2007). Os radicais hidroxila são capazes de alterar a taxa de formação de cor, levando alguns indivíduos a obter um resultado de cor de cabelo inesperado e indesejado. Mesmo níveis baixos de cobre ou ferro no cabelo podem levar a uma produção significativa de radicais hidroxila durante a coloração.

 

   O cobre (II) catalisa a decomposição do peróxido de hidrogênio seguindo um mecanismo semelhante à reação chamada Fenton. Forma um complexo com peróxido de hidrogênio que, por decomposição, dá Cu+ e superóxido. O Cu+ reduzido decompõe peróxido de hidrogênio produzindo um radical hidroxilo e conduzindo à oxidação de Cu+ de volta para Cu2+ que completa o ciclo. De modo semelhante, o superóxido entra no ciclo de decomposição do peróxido de hidrogênio gerando radical hidroxilo. O superóxido também reduz Cu2+ a Cu+ para continuar a reciclagem de metal (PEREZ-BENITO, 2004).

    O que sabemos também é que a partir de 2003 começaram a ser adicionados compostos como o EDTA (ácido etilenodiaminotetraacético) aos produtos tonalizante, com a função de inativar íons metálicos como cobre, ferro, magnésio e cálcio provenientes da água e/ou de matérias-primas da formulação do produto. Essa substância consta no rótulo dos pós descolorantes usados pelo Welder, incluindo o importado da Schwarzkopf®. Assim, esse composto atua inativando os íons de cobre, eliminando, assim, a sua influência no procedimento.

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Referência

CRONOS, SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS. Disponível em: <http://www.cronossustentavel.com.br>. Último acesso em: 9 de março. 2016.

MARSH, J. M., Flood, J., Domaschko, D., Ramji, N. Hair coloring systems delivering color with reduced fiber damage. Journal of Cosmetic Science. v. 58, p. 495-503, 2007.

MILLINGTON, K.R. Improving the photostability of whitened wool by applying an anti-oxidant and metal chelator rinse. Coloration Technology. v. 122, p. 49–56, 2006.

XU, G.H. and CHANCE, M.R. Hydroxyl radical-mediated modification of proteins as probes for structural proteomics. Chemical Reviews. v. 107, n. 8, p. 3514–3543, 2007.

 

 

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